Aller au contenu principal
PayeMesHeures
Audit gratuit →
Proteção do trabalhador

Trabalho suplementar ilícito (acima dos limites): os seus direitos mantêm-se

Mesmo prestado acima dos limites legais, o trabalho suplementar efectivamente realizado continua a ser devido e majorado. A ilicitude não apaga o crédito — acrescenta-lhe uma contra-ordenação. Saiba o que fazer.

Aurélie Petit12 July 20267 min de leitura
Trabalho suplementar ilícito (acima dos limites): os seus direitos mantêm-se

O que torna o trabalho suplementar «ilícito»

O trabalho suplementar tem regras de licitude. É ilícito, designadamente, quando:

  • Ultrapassa os limites anuais do artigo 228.º: 150 horas nas médias e grandes empresas, 175 horas nas micro e pequenas empresas, 80 horas a tempo parcial;
  • Ultrapassa o limite diário de duas horas em dia normal (artigo 228.º, n.º 1, alínea d);
  • Não reúne as condições do artigo 227.º, n.º 1 — ou seja, quando não corresponde a um «acréscimo eventual e transitório de trabalho» que não justifique a admissão de outro trabalhador.

Nestes casos, a prestação foi feita fora do que a lei autoriza. Mas isso não a torna «gratuita».

A ilicitude não apaga o crédito

Este é o princípio central: a ilicitude diz respeito às condições em que as horas foram exigidas, não ao direito ao pagamento. As horas efectivamente trabalhadas continuam a ser devidas e a ter de ser pagas com as majorações do artigo 268.º, tal como as horas lícitas.

O que a ilicitude acrescenta é uma infracção: o incumprimento dos limites é uma irregularidade que pode ser participada à ACT — Autoridade para as Condições do Trabalho. Ou seja, ultrapassar o teto anual não é uma desculpa da empresa para não pagar — é um problema a mais para ela. Se, por exemplo, prestou 190 horas suplementares numa média empresa (limite de 150h), as 40 horas «a mais» não deixam de ser pagas: são pagas como as restantes, e o excesso é uma ilicitude sancionável.

Cadre

Era obrigado a fazer essas horas?

Uma parte da confusão vem daqui. O artigo 227.º, n.º 3, estabelece que o trabalhador é, em princípio, obrigado a prestar o trabalho suplementar — salvo quando, havendo motivos atendíveis, peça expressamente a sua dispensa. Ou seja, a lei parte de um dever de o realizar; não é o trabalhador que fica «em falta» por o ter feito. Logo, não faz sentido penalizá-lo — retirando-lhe o pagamento — por horas que a própria empresa lhe exigiu.

Quando o pagamento é exigível

O artigo 268.º, n.º 4, precisa quando o pagamento é exigível: quando a prestação foi prévia e expressamente determinada pela empresa, ou realizada de modo a não ser previsível a oposição do empregador. Na prática, se trabalhou horas extra que a empresa determinou, ou que conhecia e não se opôs, o pagamento é devido. Guardar prova disso — instruções, mensagens, o registo de tempos de trabalho do artigo 202.º — é o que sustenta a reclamação.

Note-se, aliás, que a própria empresa é obrigada a manter o registo de tempos de trabalho (artigo 202.º), com indicação das horas de início e de termo, de forma a permitir apurar as horas prestadas por dia e por semana. Se esse registo não existe, ou está incompleto, a irregularidade é da empresa — e a sua ausência é, também ela, uma contra-ordenação grave (artigo 202.º, n.º 5). Por outras palavras: a falta de prova que a empresa deveria ter guardado não deve virar-se contra si.

O que fazer: dois caminhos que se somam

Perante horas suplementares ilícitas mas reais, há dois passos que se complementam:

  1. Reclamar o pagamento — as horas são devidas e majoradas (artigo 268.º). Este é o caminho para recuperar o dinheiro, no limite através de uma acção no Tribunal do Trabalho.
  2. Sinalizar a infracção à ACT — a ultrapassagem dos limites do artigo 228.º (ou a falta das condições do artigo 227.º) é uma irregularidade participável. A ACT sanciona a infracção; o tribunal reconhece o crédito.

Fazer os dois é usar a ilicitude a seu favor: ela não enfraquece o seu pedido de pagamento — reforça-o com um segundo argumento.

CTA

Fez horas a mais, talvez acima do que a lei permite, e não sabe quanto disso lhe é devido? A ilicitude não muda a conta — todas essas horas contam.

O PayeMesHeures é uma ferramenta de auditoria das suas horas: contabiliza as horas suplementares que realmente prestou, compara-as com os recibos e estima o que lhe é devido segundo as majorações do artigo 268.º, sinalizando os limites do artigo 228.º que possam ter sido ultrapassados — matéria para uma participação à ACT. É gratuito para começar. Reúna os seus dados e veja, número a número, o que está em causa.

Cada afirmação legal deste artigo assenta no Código do Trabalho; o cálculo do seu caso concreto depende da sua situação e, se existir, da sua convenção colectiva — comece por auditar as suas horas.

Artigos relacionados